Os Cristais Líquidos foram descobertos em 1888 pelo químico e botânico austríaco Friedrich Reinitzer, e receberam
este nome em 1889 pelo físico alemão Otto Lehmann.
Otto Lehmann inventou um microscópio que permitia aquecer a amostra e, com auxílio de filtros especiais (polarizadores), observar
certas propriedades ópticas dela. Esta invenção levou a avanços importantes na área de cristais líquidos.
Em 14 de março de 1888, Lehmann recebeu uma carta de Friedrich Reinitzer que estava estudando em Praga, o benzoato de colesterila,
substância que havia sintetizado recentemente a partir do colesterol. Reinitzer tentou caracterizar o novo composto medindo a sua temperatura de fusão. Ao
fazer isso, observou um fenômeno estranho:
O benzoato de colesterila paracia ter duas temperaturas de fusão: uma à 145,5ºC, quando os cristais brancos fundiam-se gerando um
líquido turvo e branco, e uma à 178,5ºC quando este líquido tornava-se transparente.
Reinitzer mandou uma amostra deste composto numa carta para Lehmann. Este por sua vez foi observar a amostra no seu microscópio
e notou que o líquido turvo apresentava, ao passar pelos polarizadores, figuras inusitadas de interferência (fenômeno óptico em que se observa a
sobreposição de duas ou mais ondas -no caso, de luz- em um mesmo ponto). Isso não ocorria ao se observar líquidos comuns.
A maioria dos cristais líquidos forma imagens coloridas -figuras de interferência- quando observada sob microscópio com a ajuda de filtros
especiais - polarizadores de luz.
Esses dois pesquisadores trabalharam arduamente entre março e abril daquele ano, discutindo suas observações e tratando de
determinar se esse estranho produto turvo era um líquido ou um cristal. No final de agosto de 1889, Lehmann concluiu que ele e seu colega estavam diante
de “cristais muito moles”, que ele batizou de
Cristais Líquidos.
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Referências Bibliográficas:
Revista Ciência Hoje, Vol. 43, abril de 2009, artigo “O estado líquido cristalino”, autor Ricardo C. Pasquali.
Revista Brasileira de Ensino de Física, vol. 27, nº3, setembro de 2005, artigo “Cristais Líquidos: um sistema complexo de simples aplicações”,
autor Ivan Helmuth Bechtold.